Aprovar e implantar

ESG e infraestrutura verde

A agenda ESG deixou de ser discurso institucional e passou a ter efeito concreto sobre licenciamento, custo de infraestrutura e valor percebido do empreendimento.

Capítulo 3 de Loteando uma Gleba  ·  Ruth Portugal · Patrícia Bittencourt

ESG e desenvolvimento urbano

O capítulo 3, de Ruth Portugal e Patrícia Bittencourt, começa contextualizando o ESG e sua relevância para o desenvolvimento urbano — o que ele é, por que importa e como se conecta à agenda de desenvolvimento urbano sustentável. A dupla de autoras reúne dois olhares complementares: o de quem opera loteamentos há mais de 35 anos e o de quem lidera iniciativas de sustentabilidade e ESG no Secovi-SP desde 2015.

Infraestrutura cinza versus infraestrutura verde

O eixo técnico do capítulo é a comparação entre a infraestrutura convencional — as redes, canalizações e estruturas de concreto — e a infraestrutura verde, que utiliza sistemas naturais e seminaturais para desempenhar funções equivalentes, com destaque para drenagem, controle de temperatura e qualidade ambiental.

O tema se conecta diretamente à resiliência climática: em um cenário de eventos extremos mais frequentes, a escolha da solução de drenagem deixa de ser apenas questão de custo de implantação e passa a ser questão de risco do empreendimento e do bairro que ele cria.

Estratégias ambientais, sociais e de governança

O capítulo organiza as estratégias sustentáveis aplicáveis a loteamentos nas três dimensões da sigla, oferecendo ao empreendedor um enquadramento operacional em vez de um manifesto:

  • Ambientais — preservação de áreas naturais, criação de parques urbanos internos, soluções de drenagem, reúso de água e eficiência energética.
  • Sociais — acessibilidade, diversidade de usos e integração com o entorno.
  • Governança — estruturas de gestão, transparência e compliance ao longo da vida do empreendimento.

Estudos de caso e boas práticas

A parte prática do capítulo reúne casos específicos de loteamento — entre eles o Quinta dos Lagos, em Cotia (SP), e o Centro Digital de Integração Tecnológico (CEDIT) — e exemplos internacionais de infraestrutura verde e urbanização sustentável:

  • Hammarby Sjöstad, Estocolmo, Suécia
  • Parque Bishan-Ang Mo Kio, Singapura
  • The High Line, Nova York, Estados Unidos
  • Corredores Verdes, Medellín, Colômbia
  • Parque Cantinho do Céu, São Paulo, Brasil

Ferramentas e certificações

O capítulo encerra com um inventário do que está disponível: ferramentas de planejamento e análise de impacto ambiental, plataformas de monitoramento de uso do solo e recursos naturais, ferramentas de planejamento social e inclusivo, instrumentos de governança e compliance, e certificações para infraestrutura. Patrícia Bittencourt participou da coordenação da ABNT PR2030, a norma ESG da ABNT.

Desafios e o papel das empresas de loteamento

Nas reflexões finais, as autoras tratam do papel das empresas de loteamento na transformação ESG do setor. É um ponto que dialoga com o capítulo de abertura da obra: se em muitos municípios é o loteador quem implanta a infraestrutura urbana, é também ele quem decide, na prática, o padrão ambiental do bairro que está criando. Ver o papel do loteador.

Capa de Loteando uma Gleba

Loteando uma Gleba

Os 23 capítulos percorrem todo o ciclo do parcelamento do solo urbano — da prospecção da gleba à comercialização dos lotes e suas estruturas de financiamento.